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ANÁLISE DO PRIMEIRO CAPÍTULO DE O HOBBIT

A escolha.

A dor da escolha. Escolher algo é renunciar várias coisas.

Bilbo Bagins é um hobbit do condado e como todo hobbit gosta de conforto. Percebemos ao começarmos a ler o primeiro capítulo da obra de Tolkien, a descrição minuciosa do lar, ou melhor, da toca do nosso caro hobbit. Confortável, com uma dispensa saborosa de doces e iguarias e conforto, muito conforto! E isso essencialmente é ser um hobbit.

A próxima ação no livro nos remete ao dia em que Bilbo conheceu Gandalf, o mago. O hobbit estava sentado em seu jardim fumando seu delicioso cachimbo com o fumo do condado, quando o mago aproximou-se e o saudou.

A partir dessa conexão entre o mago e Bilbo, ocorre um conflito na vida do hobbit, o mesmo não quer sair da sua zona de conforto, quer continuar na preguiça – ou como os medievais chamam, acídia – Bilbo quer continuar entocado e vivendo sua vida em um eterno retorno, o hobbit sente-se muito confuso e até mesmo irritado quando o mago Gandalf convida-o para a aventura

. Percebemos que há uma escolha a ser feita por Bilbo, e com ela há toda a renúncia ao seu condado, ao seu paraíso pessoal. As próximas cenas, dos encontros inesperados dos anões em sua humilde casa, e a chegada do nobre rei dos anões, Thorin escudo de carvalho, transforma o Hobbit em um ladrão, sorrateiro e destemido.

Gandalf não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Como todo líder, é conselheiro, e acalma os ânimos dos anões que querem contratar Bilbo para o hobbit conseguir tomar de volta a grande pedra do rei dos anões, a chamada: Arkenstone – ou Pedra Arken  – do temido dragão Smaug .

O que ocorre é que, Bilbo Baggins não possui nenhuma característica de um ladrão, muito menos é inclinado a sair de sua zona de conforto e aventurar-se pelo desconhecido. E como um hobbit que passou a vida inteira em uma toca, no seu útero confortável, conseguiu nascer para o mundo e tornar-se um grande herói?

Um Encontro, Hobbit, anões e uma ceia.

O Encontro.

Durante toda a história da humanidade as refeições fizeram parte de comemorações, reuniões, confraternizações de todo tipo. E essa não é diferente. Percebemos que a ceia que conseguiu unir, um hobbit, um mago, anões e um rei, foi especialmente escrita por Tolkien para demonstrar como um bom estômago cheio nos leva a tranquilidade do convívio.

No início, Bilbo ficou arredio e muito irritado por ter tantas pessoas em seu sagrado lar, incomodando-o com tanto barulho e sem cerimonias. Chegando um a um, os anões foram acomodando-se e pedindo comidas e bebidas ao hobbit. Sabiamente, Gandalf já sabia que um bom plano, um bom encontro, ocorre diante de uma mesa. Não podemos deixar de mencionar aqui a relação quase que imediata com a ceia mais famosa e comentada do mundo: A última santa ceia do Mestre, Jesus Cristo.

 Percebemos Bilbo, o hobbit, diminuir a tensão, ligando um dos seus maiores prazeres que é a comida, com um novo contrato para derrotar Smaug, o grande dragão da montanha solitária. Arredio, antes o Hobbit não queria nem mesmo um estranho em sua casa e agora estava com vários personagens, compartilhando aquela bela ceia.

GANDALF

O calor humano da companhia a mesa, as bebidas e os alimentos, aumentaram o dinâmica das relações entre as diferentes personalidades presentes na reunião. A tensão diminuiu, e eles começaram a entoar uma canção, uma espécie de profecia, presságio, afinal então tínhamos uma oração.

A MARCA

Toda comemoração, conquista e reunião é feita ao redor de uma mesa, ou mesmo preparando o alimento. A saciedade faz parte da natureza da vontade humana, e com ela satisfeita, conseguimos pensar melhor, mas sempre na medida do equilíbrio. Assim como seria com o excesso da gula, nos atrapalha o pensamento, também ficamos muito sensíveis ao mesmo, com o jejum prolongado.

A_Ultima_Ceia de Leonardo davinci

A referência à Santa Ceia é contundente. Temos a presença de todos os símbolos aliado a tradição do Sacramento da Crisma, que é conhecida pela marca que perpétra os dons do Espírito Santo e incuti no crismando, a batalha no mundo. A batalha de todo cristão, contra a carne, o mundo e o demônio. Bilbo luta contra seus desejos, contra o mundo e contra Smaug.

O primeiro don a surgir em Bilbo é o don da coragem/fortaleza, um dos dons do Espírito Santo. O Hobbit sai da sua zona de conforto do seu lar, para uma missão no mundo. Aqui mais uma vez há a contradição conhecida pelos cristãos, os últimos serão os primeiros, os mansos herdarão o reino dos céus. Ora, se há outras figuras mitológicas tão fortes como anões, elfos e até mesmo o mago Gandalf, por que então escolher Bilbo, o Hobbit, para essa tarefa. Pelo simples fato da pureza de seu coração. Mais adiante nos outros livros, o Hobbit, sobrindo de Bilbo, Frodo, é escolhido para ser o portador do anel por causa das mesmas virtudes. Todos os outros personagens mitológicos poderiam ser tentados pela malignidade de seus corações. Cabe salientar aqui que a raça humana no universo Tolkien, é outro tipo de humanidade, será uma raça ”diferente” de nós. Farei um novo artigo explicando a decadência de todas as raças da terra média em outra oportunidade, por aqui, fiquemos com essa explicação.

Festejemos a abundância em nossos lares e relembremos as nossas conquistas, caminhemos em direção aos nossos próximos desafios como matar um dragão em cada montanha solitária.

1 – A apresentação do personagem.

2 – A chegada de um sábio.

3 – O Conflito.

4 – A confiança de um mentor.

5 – A mudança de atitude.

 

Para comprar o livro: Livro O Hobbit

Referências Bibliográficas

A Bíblia de Jerusalém

TOLKIEN, J.R.R. O Hobbit. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

TOLKIEN. J.R.R. O Senhor dos Anéis. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

TOLKIEN. J.R.R. O Silmarillion. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

TOLKIEN. Christopher.. The history of middle earth.

Humphrey Carpenter. Tolkien: A Biography. Nova Iorque: Ballantine Books, 1977.

CARPENTES, Humphrey e Christopher Tolkien (eds.). The Letters of J. R. R. Tolkien (em inglês). Londres: George Allen & Unwin, 1981.

COLBERT, David. O Mundo Mágico do Senhor dos Anéis, Mitos, Lendas e Histórias Fascinantes. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2002.

TOLKIEN, JRR. Sobre Histórias de Fadas. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2006.

TOLKIEN, JRR. O Dom da Amizade: Tolkien e C.S.Lewis. Nova Fronteira.

Canal Leandro Gama

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